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18.12.19

Fugaz



Isadora Garcia

É difícil esquecer algo que nunca houve
É impossível superar o amanhã que nunca chegou
Entender não é ao menos opção
Um vazio escuro
Surdo barulho
Oco
Vão

Talvez seja apenas um delírio remanescente
Resíduo de vidas que fogem à memória
Arde uma dor que nunca me foi dada
Herança de um canto qualquer dessa carne

Aqui
No mais calmo dos instantes
Sinto o eco do som translúcido
Como de passagem
Eu, apenas meio,
Não sou digna de razão

Calo o sentimento
Ouço enquanto me perfura
Me atravessa
Aguardo
Aceito
O sal escorre fechando o fato

E nunca houve.
E nunca foi.
Acordo perdida
Mas o resíduo fica
E um dia me lembrarei do seu calor.

6.8.17

Em busca do nada

Isadora Garcia

Perseguir um sonho

até que ele se perca

e a angústia de encontrá-lo

se torne a nova perseguição.

13.1.14

Today I met someone

Isadora Garcia

Today I met someone so... strange.
I have met someone
And she was so… different,
She was so different from me,
She was… interesting.
Today I just met someone
suddenly…
Today I suddenly met someone
Someone I think I know
Someone I think I knew
Someone strange
A stranger.
Today I met a stranger
A Stranger to me…
Today I met someone
And I think it was
Myself.

27.12.13

Escrevo em sonho

Isadora Garcia

EscreeeeeeeeevoPARO.
Pennnnnsssssssoo...
Soooono.    .    .
SoNhO...,...?...!...,...?.”...”.
Acordo! Escrevo! Apago! Escrevo!
Risco. O que era mesmo?
...? !!!? .,.?? “?” ? ... .
perco.
OOlhoo...
...............aguardo...............
Soooono.    .    .
SoNh-
Acordescrevapaguescrevo!
E ponto)
E pronto)
É isso)
Só isso)
Sorriso)

4.8.12

Privação ideológica*


Isadora Garcia

Violentamente, puxaram meus pés de volta ao chão, amarraram minhas asas e vendaram-me os olhos. Estava voando muito alto, diziam. Alcançando ideias perigosas, justificavam. Tolos! Vendas nunca serão negras o suficiente, nem cordas serão fortes o bastante para findar os sonhos e cantos de minha alma.


*Adaptação de Sonhar é permitido? para um concurso de mini-contos.

O mar da vida


Isadora Garcia

O barco de minha vida navega por mares de incerteza.
Mas sob tais mares, correm águas de sonhos,
Correm desejos e vontades, corre o canto de minha alma.
Me pego a refletir sobre o verdadeiro norteador da jornada:
Serão as preocupações ou as paixões? Medo ou anseio?
Creio que não caiba a mim a descoberta,
Creio que meu roteiro não preveja a elucidação
Daquilo que seria o maior enigma da vida,
Daquilo que, de fato, nos move e nos orienta:
Nossas dúvidas, nossas escolhas, nosso caminho.

21.6.12

Sonhar é permitido, dizem os jornais

Isadora Garcia

-Sonhar é permitido, está nos jornais! E, olha só! Agora também está liberado viver para realizar seus sonhos!

-Será?! Não acredito! Não é possível!

-Pois acredite, rapaz! Foi decretado, virou lei!

-Mas... Logo eu que... Foram tantos anos tentando enterrar meus sonhos, tentando ignorar seus chamados... - Pausa - E se estiverem mortos?!?!

-Pois trate de reanimá-los, meu caro, ou morrerás tu!

31.5.12

Sonhar é permitido?


Isadora Garcia 

Descobri a magia e o poder das palavras aos poucos. O mistério que as envolve foi me fascinando de tal forma, que não pude ignorá-lo. Ele tornou-se autor de meus sonhos e me incentivou a buscar na beleza das letras a possibilidade de externar sentimentos, fantasias e desejos. A descoberta desta possibilidade infinita de provar tão doce sabor me encantou e, leve e sorridente, dei asas a sonhos que me levaram (e ainda levam!) para mundos fantásticos. A coisa foi tomando dimensões que, a meus olhos, eram magníficas, mas, na ótica da fria realidade, eram preocupantes. Foi então que começaram a puxar meus pés de volta para o chão, a me impor vendas e cordas, a cortar minhas asas, que cultivava com tanto orgulho. Que dor! Que horror! Aquilo me doeu, como me doeu! Mas as vendas não eram negras o suficiente e as cordas não tinham a força requerida para parar os cantos de minha alma. Durou pouco o tempo em que aceitei esta prisão. Logo minhas asas já estavam novamente fortalecidas e foi então que dei o maior salto de todos! Ah, que maravilha o vento a me tocar o rosto! Era incrível a leveza depois da privação! Hoje cultivo meus sonhos e meu imaginário, confiante. Muitas vezes ainda sinto a queimação das cordas em meus pés, tentando me prender a um mundo de limitações, mas logo vêm as palavras a me abrir os olhos, a levantar meu rosto e me apontar o céu, moradia eterna da alma que acredita.