Isadora Garcia
Minhas lágrimas
pegam
A via
expressa dos
Destinos
traçados
Em meu
rosto.
Sangue
transparente
Que arde e
acorda
As feridas
abertas
Quase não
sinto
Tal o
costume
À dor
Isadora Garcia
Minhas lágrimas
pegam
A via
expressa dos
Destinos
traçados
Em meu
rosto.
Sangue
transparente
Que arde e
acorda
As feridas
abertas
Quase não
sinto
Tal o
costume
À dor
Isadora Garcia
Para Francisco Pedro Garcia
Às vezes a lembrança da tua lágrima
Vem, sorrateira, me visitar.
Não sei se chora mais a lembrança
Ou o coração a lembrar.
Isadora Garcia
Vamos chegando na metade do ano e eu, adiantada, faço um balanço dele. Este ano tem sido tão pesado, tão repleto de emoções fortes. Ocorreram grandes coisas – boas e ruins – e a carga que seguro por estar vivendo tais experiências é grande. Estou esgotada, se é que me é permitido admitir.
Esse ano vi amizades se desfazendo, pessoas indo embora com raiva de mim... é impossível descrever o peso com que tais lágrimas correm cobrindo o meu rosto. Vê-los partir e nada poder fazer para que pelo menos lembrassem de mim com sorrisos...
Esse ano percebi meus avós mais doentes do que nunca, vivendo cada dia com menos forças, com menos vontade, sendo que qualquer um poderia lhes ser o último. E eu (dói demais admitir) tentando fingir que está tudo bem, fechando os olhos para o presente, tentando atar à minha mente memórias já difusas de dias alegres ao lado deles quando ainda sorriam e conversavam comigo.
Esse ano resolvi me preocupar um pouco menos com a escola e com a escolha do vestibular, achando que, assim, aliviaria as tensões que conheci ano passado e nas primeiras semanas desse. Mas, pelo visto, minha intenção não foi muito bem aceita pelos meus pais, que acham que, por se tratar do último ano, eu deveria estar dando mais de mim, esforçando-me mais do que nunca para conseguir realizar as expectativas deles em relação à minha colocação no vestibular. É claro que eu gostaria de ir muito bem, mas, sinceramente, prefiro relaxar minha mente e passar junto da maioria do que me estressar como eu estava me estressando para conseguir um lugar de mais prestígio.
Esse ano conheci mais sobre pessoas maravilhosas, que hoje me são amigos essenciais. E são essas pessoas que mantém vivo em meu rosto o sorriso que tento carregar todos os dias. Sim, nesse ano, apesar de tudo, sorri. Sorri muitas e muitas vezes graças às minhas amizades, graças ao sentimento maravilhoso de amar e ser amado sem dar ou querer em troca absolutamente nada, apenas a certeza de que amanhã será um dia alegre, afinal, será mais um dia ao lado dos meus amigos.
Isadora Garcia
Aqui dentro
pesa a dor da culpa.
Saber como te magoei
é meu castigo.
Se algo pudesse fazer
para rever o teu sorriso,
saiba, já teria feito.
Por favor não sofra,
não vale a pena,
eu não valho a tua dor.
Sinto como se a dor em meu peito fosse tanta
Que me impedisse de andar,
De sair do lugar.
Sinto como se me afundasse,
Perdida num lugar estranho a mim.
Sinto como se minhas infinitas lágrimas
Fossem tudo o que eu pudesse dizer.
Sinto como se minha cabeça pesasse,
Cheia das tentativas fracassadas.
Dos discursos ensaiados,
Das previsões incertas.
Sinto-me inútil,
Impotente quanto a um assunto
Impossível de descrever.