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20.12.13

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Isadora Garcia

Vazio.
Silêncio.
Solidão.
Sua ausência me perturba
Seus olhos me faltam
Sua alegria me carece.
Choro o vazio da casa
Choro o vazio do peito
Choro a partida
Choro a impossibilidade do regresso
Choro.
Estico minha mão e todo o vazio
Mas o nada não é macio como você
Mas o nada não conforta
O nada não me olha
O nada não me entende.
Procuro presença
na ausência
Procuro conforto
na dor.
Não há.
Não há.
Não há.

Ficou o nada







e o nada não responde.



20.2.12

A última cena

Isadora Garcia

Para Francisco Pedro Garcia


Às vezes a lembrança da tua lágrima

Vem, sorrateira, me visitar.

Não sei se chora mais a lembrança

Ou o coração a lembrar.

20.5.11

Discursos Calados II

Isadora Garcia

Pensamentos via eu fluírem por teus olhos
Sentimentos tinha eu escorrendo pelo peito
Mas nada disso mudava a presente ocasião:
Era o silêncio que reinava em nossa separação.

Buscando respostas no passado recente
Seguia frustrada o diálogo ausente
Torcendo então para que negasses o dito
E desistisses daquilo rápido e aflito.

Arrastava-se dolorosa dos instantes a tardança
Morria no meu peito lentamente a esperança
Temia a obrigação de guardar-te em lembrança

Palavras, cega, eu esperava
Ausentes sons tu me deixavas
Tua boca muda já me faltava...

31.3.11

Longa espera

Isadora Garcia

Quero o calor de um abraço
Todo dia a me confortar
Quero o som de um riso
Como um afago a me sustentar

Quero distante a saudade
Que hoje vem me incomodar
Quero sentir em um beijo
A doçura que busco num olhar

Volte pro meu peito, amor
Traga no teu jeito fervor
Encontre no meu leito fulgor

Lembre-me do deleito calor
De provar o perfeito sabor
Da paixão, sujeito e autor

9.2.11

Silêncio de doce melodia 2

Isadora Garcia

Silêncio de doce melodia
Refizeste em mim a parceria?
Notaste outra vez a sintonia
Trazendo auxílio então na poesia?

Silêncio de sorrateira ventania
Convence o coração da fantasia!
Varre de meus ouvidos na correria
A saudade de antiga companhia!

Apaga da memória a cortesia
Esconde do beijo a ousadia
Disfarça do desejo a euforia.

Mostra-me com tua sabedoria
Que é melhor quando anestesia
O amor que hoje me angustia.


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Veja aqui o primeiro "Silêncio de doce melodia"
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4.9.10

Um adeus tardio

Isadora Garcia
Para Francisco Pedro Garcia
.
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Tento apegar-me a memórias difusas
de um passado feliz ao teu lado.
Eras tão sábio, tão erudito,
um homem que construiu uma vida de glórias
com o suor e a vontade de vencer
que guardava no peito.
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As lágrimas não param de rolar meu rosto.
Choro com a fraqueza de uma criança,
tão pequena frente ao mundo, tão impotente.
Choro com a força de um adulto,
que, infelizmente, compreende o que se passa
e se arrepense como nunca pensou ser possível.
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Foste embora, sim, já era previsto,
mas a dor que suporto, esta não me era conhecida.
Foste embora e me deixaste tua lágrima,
cena que ficará presa, vívida em mim
fazendo companhia para o aperto em meu peito.
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Perdoe o vazio de minhas palavras caladas.
Se pudesse, berrava agora meu amor para o mundo.
Perdoe meus erros, me perdoe...
Só agora vejo a importância
que teria tido aquele adeus.

6.6.10

Um ano de muito peso

– um desabafo há muito tempo engasgado

Vamos chegando na metade do ano e eu, adiantada, faço um balanço dele. Este ano tem sido tão pesado, tão repleto de emoções fortes. Ocorreram grandes coisas – boas e ruins – e a carga que seguro por estar vivendo tais experiências é grande. Estou esgotada, se é que me é permitido admitir.


Esse ano vi amizades se desfazendo, pessoas indo embora com raiva de mim... é impossível descrever o peso com que tais lágrimas correm cobrindo o meu rosto. Vê-los partir e nada poder fazer para que pelo menos lembrassem de mim com sorrisos...


Esse ano percebi meus avós mais doentes do que nunca, vivendo cada dia com menos forças, com menos vontade, sendo que qualquer um poderia lhes ser o último. E eu (dói demais admitir) tentando fingir que está tudo bem, fechando os olhos para o presente, tentando atar à minha mente memórias já difusas de dias alegres ao lado deles quando ainda sorriam e conversavam comigo.


Esse ano resolvi me preocupar um pouco menos com a escola e com a escolha do vestibular, achando que, assim, aliviaria as tensões que conheci ano passado e nas primeiras semanas desse. Mas, pelo visto, minha intenção não foi muito bem aceita pelos meus pais, que acham que, por se tratar do último ano, eu deveria estar dando mais de mim, esforçando-me mais do que nunca para conseguir realizar as expectativas deles em relação à minha colocação no vestibular. É claro que eu gostaria de ir muito bem, mas, sinceramente, prefiro relaxar minha mente e passar junto da maioria do que me estressar como eu estava me estressando para conseguir um lugar de mais prestígio.


Esse ano conheci mais sobre pessoas maravilhosas, que hoje me são amigos essenciais. E são essas pessoas que mantém vivo em meu rosto o sorriso que tento carregar todos os dias. Sim, nesse ano, apesar de tudo, sorri. Sorri muitas e muitas vezes graças às minhas amizades, graças ao sentimento maravilhoso de amar e ser amado sem dar ou querer em troca absolutamente nada, apenas a certeza de que amanhã será um dia alegre, afinal, será mais um dia ao lado dos meus amigos.


9.5.10

O que eu mais quero no mundo

Isadora Garcia (para bruno)

Em primeiro lugar, a sua felicidade.
Em segundo, o seu perdão.
E em terceiro, um abraço seu.

Sei que não posso ter os três,
por isso me calo, aguardo.

Talvez um dia tudo mude,
o tempo há de me acudir.

Por enquanto escondo
meu desejo imenso
de ver você sorrir.