13.7.09

Hoje estou fugindo um pouco do padrão. Em vez de poemas meus estou postando textos de outros autores referentes ao fazer poético, que é um tema que eu adoro! E agora um texto maravilhoso de Danilo Castro (http://daniloalfa.blogspot.com/)

Labirinto

"Eu hoje me cansei um pouco de mim. Cansei dessa necessidade de escrever em primeira pessoa para me expressar melhor. Cansei de relatar as verdades que não vivi e de acreditar que elas são parte da minha história. Cada vez que eu pulo num abismo eu descubro que o chão nunca me espera e que o eco do meu berro estrondoso fica pairando até não se sabe quando. Eu sou tão volúvel, tão volúpia, tão Eurico que eu cansei de me ser. Eu cansei dessa fome aqui no estômago mesmo. Cansei de me confundir entre o que é e o que não é de mim aqui no papel. Cansei de escrever as palavras: escrever, papel, personagem, história e algumas outras que são as mesmas coisas. Quero ser mais opaco e não o reflexo do que ando lendo. Eu quero ser o recado e não o menino de recados. Eu quero me ser, mas não sei onde me busco. Estou sempre no abismo, só sei que pulei e que gosto da sensação que antecede o pulo. Cansei de não ser pontiagudo e de tentar o ser. Sou todo esférico, polido de mundo e quero cortar a pele dos outros sem ter força ou dom para isso. Quero menos pretensão e apenas escrever sem ser repetitivo e se por ventura alguém me ler, não me importarei. Parece que eu careço de reconhecimento e tenho todo o egocentrismo do Tudo, mas não passo de mosca morta, porque a viva ao menos irrita. Eu ando meio confuso sem saber onde estão os planos habitáveis e os inabitáveis. Eu não sei quem sou no papel e estou me perdendo quando tento me desvendar fora dele. É como se de mim evacuasse o que sou com porções do que não sou, mas o que não sou emana do que ponho aqui e se funde ao que vivo. É um drama sem a estrutura início-clímax-resolução. Estou eternamente vivendo o clímax sem o ser, por isso eu sôo vago e transeunte. Se eu resolver escrever em terceira pessoa é provável que eu não venha ter a habilidade de ser verdadeiro. E quem me disse que o que escrevo é verdadeiro? Ninguém me responde. São vários mundos, vários personagens, uma multidão que crio ao meu lado, mas parece que é cada um por si ou estou sendo alvo de uma conspiração maligna de mim contra mim mesmo? Cansei de ser ator, de ter essa necessidade de me usar para viver o que não vivo, de gritar o que nunca gritaria ou suar dos meus poros as almas que nunca habitaram meu esguio e desengonçado corpo em eterna puberdade. Cansei, não quero mais escrever. Quero a normalidade (cacofônico?), vou exercer minha função procriadora na terra e ir-me o quanto antes daqui. É por isso que tenho medo do que ponho em letras, porque nem eu sei o que vai vir daqui a pouco, daí quando eu reler as asneiras que acidentalmente brotaram, irei bater de frente com dilemas absurdos que nunca da minha voz sairiam. Eu estou perdido. Alguém aí tem a chave do meu enigma?"

Da feitura do poema
Anne Sexton em entrevista a The Paris Review

"Os momentos que antecedem o surgimento de um poema, quando ocorre a expansão da consciência e você percebe que existe um poema em algum lugar, você se prepara. Eu corro ao redor da casa, saltitando, é uma exaltação maravilhosa. É como se pudesse voar, quase, e sinto-me muito tensa antes de ter contato com a verdade – a verdade dura. Então sento-me e dou a partida.



[...]



Acredito que sou muitas pessoas. Quando estou escrevendo um poema, sinto que sou a pessoa que deveria tê-lo escrito. Assumo com freqüência esses disfarces; eu os abordo como faria um romancista. Às vezes me torno outra pessoa, e quando isso acontece, acredito – mesmo nos momentos em que não estou escrevendo o poema – que sou essa pessoa."



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Postagem retirada do blog:

http://outraslevezas.blogspot.com/


12.7.09


Incautamente
Isadora Garcia

As palavras parecem querer brincar com meu inconsciente
Levando-me a escrever apenas o inconsistente
Cada uma delas me leva ao incoerente
Brinca comigo sempre consciente
Do desastre que causa em minha mente
Afeta-me certeira, deixa-me doente
Mas não desisto, sou persistente
Sei que um dia hei de possuí-la finalmente
E ela será por um momento minha, exclusivamente
Passearemos juntas, ela se julgará presa, inerente
E perceberei meu erro de repente
Guardá-la comigo injustamente
Afetará todo o mundo que desesperadamente
Procurará seu sentido por toda parte desordenadamente
É, já percebi: dessa luta não sairei vitoriosa, certamente.

11.7.09


Erram comigo, erro contigo, erras com ele... Somos apenas humanos...
Isadora Garcia

São vinte e quatro armas apontadas para a sua cabeça.
Uma para cada momento do seu dia.
Você não agüenta mais essa pressão,
Mas não tem para onde fugir.

Todos se sentem como você,
Mas ninguém admite a própria fraqueza,
Ninguém admite a própria condição...

A cobrança é de enlouquecer,
Mas há sempre alguém de quem se possa exigir
Aquilo que exigem de você.

Pois é... sofre com o desespero dos horários a cumprir,
Com a pilha de afazeres para o dia seguinte,
Mas não é isso que lhe fará ter pena do seu subordinado.

São vinte e quatro armas apontadas para a cabeça dele.
Uma para cada...

24.6.09

O poema que a tudo deu início...


Conquistar-te-ei
Isadora Garcia
Para Bruno Cabral

Conquistar-te-ei
nos dias de chuva,
nos dias sem cor.
Quando a felicidade parecer distante,
conquistar-te-ei.

Conquistar-te-ei
quando menos esperares,
quando cego estiveres.
Nos momentos oportunos,
conquistar-te-ei.

Conquistar-te-ei
para saciar-me,
para acalmar-me.
Se desesperada estiver,
conquistar-te-ei.

Conquistar-te-ei
se dedicar-me,
se estudar-te.
Para merecer-te
conquistar-te-ei.

Conquistar-te-ei enfim
nos gestos mais singelos,
quando abrir teus olhos,
para amar-te mais,
se a mim aceitares.

13.6.09

Poema de dia dos namorados



Com todo o meu amor

Isadora Garcia

Para Bruno Cabral


Nosso amor é tão lindo

É tão puro

Com um simples beijo

A complexidade do sentimento se revela

A entrega é mútua

A paixão é sincera


Aquilo que percorre meu corpo

Minha mente

Meu coração

Quando te sinto

É quase inacreditável

É quase utópico

Mas é real

E inigualável


Não há dicionário que o explique

Não há sábio que o traduza

O amor verdadeiro

É mistério sem solução

É instinto sem controle

É emoção


Se alguém tentasse guiar a própria paixão

Infeliz seria

Iludir-se-ia


Posso afirmar sem receio

Que conheço o amor

Que provo teu sabor todos os dias

Desde que lhe toquei os lábios pela primeira vez

Estou condenada a amar-lhe

Sentença esta que cumpro com maior felicidade

Com empenho

E ardor


Se algum dia por algum motivo

For forçado a duvidar do meu amor

Lembre-se do que lhe digo hoje

Neste dia tão especial:


Amo-lhe com todo os sentidos que tenho

Amo-lhe com o olhar

Amo-lhe com o toque

Amo-lhe inalando seu cheiro

Amo-lhe beijando seu rosto

Sentindo seu gosto

E ouvindo sua voz


18.4.09

Gostaria de poder lhe dizer
o que sinto quando lhe vejo.
Como meu coração reage,
desesperado e perdido
nas profundezas dos seus olhos.
Gostaria, mas sei que nunca conseguirei.
Muito já tentei colocar em palavras
E algumas vezes até cheguei perto do conseguir,
Mas impossível é contar-lhe o que se passa dentro de mim
Quando me toca, quando me beija, quando me olha.
Mas de alguma forma, mesmo não compreendendo o sentimento por completo
Sei que você se sente da mesma forma
Sei que a mesma sensação de incredulidade que percorre minha mente
Quando paro para pensar que a nossa historia é real o domina
E essa certeza me traz tanta felicidade
Que me leva a ter certeza de que será pra sempre.

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Mô, te amo mais que tudo nesse mundo!!!

De volta!

A culpa de toda a minha ausência coloco na escola, que me afogou em deveres de casa e em provas, mas agora que o boletim já chegou e trouxe muita alegria e satisfação, volto a postar =)

No feriado da Páscoa estive em São Paulo e pude visitar o museu da língua portuguesa que recomendo a qualquer um! O filme que é passado no fim da visita depois tem uma continuação numa próxima sala onde podemos assistir (mais ouvir) à declamação de várias poesias em diversas vozes da literatura e da música brasileiras. Muito interessante!

Beijos!

Contigo

Isadora Garcia

Para Bruno Cabral

Quando penso ser impossível
Surpreender-me mais contigo
Chegas com presentes e palavras,
Gestos e carinhos
Que me deixam anestesiada, hipnotizada.

Percebo claramente que fomos feitos um pro outro
(Impossível melhor combinação).
Teu rosto ao lado do meu,
Nossas mãos juntas,
Meus dedos entrelaçados aos teus...
São detalhes que não existem mais separados.

Impossível ser mais feliz do que eu quando estais por perto;
O coração dispara,
A mente navega
E nada mais importa.

Ficaremos juntos para sempre, eu sei
E mesmo assim todos os dias
Ao olhar pela primeira vez pra ti
Perguntarei-me se mereço tamanha sorte.

Sem teus beijos já não mais sobrevivo
Amo-te tanto que não consigo compreender finais tristes
Pois tendo a ti fica difícil entender outro caminho senão o do amor eterno.

8.3.09

Caminho único, opções diversas
Isadora Garcia
.
.
Ao caminhar pela vasta
___________trilha
_______da vida
Esta trilha
_____que mal comecei
Vejo
___(até onde a vista não
___se mistura aos sons)
___pedras, flores e muitas cores.

Tortuosa,
____esta trilha apresenta
diversas bifurcações.
Sem placas,
Sem dicas,
Temo.
Temo arrepender-me.
Voltar não posso
Descansar, quem sabe?

Ao caminhar pela vasta
____________trilha,
sorrio.


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Peço desculpas pela ausência, mas é que a escola anda sufocando já no início... Bem, este é um poema bem antigo meu, mas que eu particularmente aprecio bastante. Coloco-o aqui neste momento de muita dúvida em minha vida, que é a fase em que realizo o quão próximo está o vestibular e o quão perdida estou em relação ao que cursar na faculdade. Espero descobrir logo...
Beijos!