9.5.10

O que eu mais quero no mundo

Isadora Garcia (para bruno)

Em primeiro lugar, a sua felicidade.
Em segundo, o seu perdão.
E em terceiro, um abraço seu.

Sei que não posso ter os três,
por isso me calo, aguardo.

Talvez um dia tudo mude,
o tempo há de me acudir.

Por enquanto escondo
meu desejo imenso
de ver você sorrir.

26.4.10

De dia, de noite...
Agora não mais importa,
vejo estrelas em toda parte...

28.3.10

Início do fim

Isadora Garcia


Aqui dentro

pesa a dor da culpa.

Saber como te magoei

é meu castigo.


Se algo pudesse fazer

para rever o teu sorriso,

saiba, já teria feito.


Por favor não sofra,

não vale a pena,

eu não valho a tua dor.

14.3.10

Princípio comum

Isadora Garcia


Num segundo me vem a vontade

de tudo o que sinto poder expor.

Corro então, busco a verdade

de cada palavra que venero com amor.


Muitas vezes o que fica é o vazio,

a procura ainda não acabou.

Pelos labirintos de rimas vadio,

pois a tentativa primeira não saciou.


Então de repente o conflito faz sentido,

reconheço-me por inteiro depois de ter lido,

aquieto meu peito e sorrio por ter conseguido.


Na poesia acho não a resposta, mas a solução.

Sua magia me fascina e me dá gratidão.

Sentimentos e palavras em perfeita união.


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Sendo hoje o Dia nacional da poesia, não podia deixar de fazer esta homenagem! A poesia merece mais do que isso, na verdade, mas como não posso mostrar a todos do mundo o seu verdadeiro valor, fico com estes versos singelos neste dia chuvoso...

26.2.10

Affonso Romano de Sant'Anna:

A

Arte

___é luz

___é sina


A

Arte

___aluzcina.


Quero

___Aluzinarte.


(http://www.affonsoromano.com.br)

24.2.10

"A linguagem é uma armadilha. O poeta é o primeiro a reconhecer que dela não conseguimos escapar."
A gaiola vazia, coluna de José Castello, Prova & Verso do jornal O Globo, dia 20 de Fev de 2010

9.2.10

Sonho interrompido

Isadora Garcia


Disparou meu coração

E antes mesmo que pudesse sentir

Teus lábios nos meus,

Subitamente despertei.


Igualmente de repente notei:
Era tudo um simples sonho.

Mantive os olhos bem fechados
Para continuar na ilusão.


Teu cheiro percorreu meu organismo.
Não sei como vivi até agora sem ti.
A calma me veio com teu romantismo,

Com todos os gestos que, acordada, fingi.


Porém no fundo eu sabia:

Essa desorientada alucinação não duraria.

Quando a verdade buscasse, o ato revelaria

O vazio em meu quarto.

8.2.10

Entre a ciência e a sapiência

Rubem Alves

[...]

Se os olhos não serviram como metáforas, falarei sobre pianos. Mais precisamente, sobre os pianos Steinway, os mais perfeitos, que estão nas grandes salas de concerto do mundo. Os pianos Steinway são produzidos de forma absolutamente rigorosa e científica. Tudo neles tem de ter a medida exata. Todos têm de ser absolutamente iguais, para que o pianista não estranhe. Mas um piano, em si mesmo, é estúpido. Falta-lhes o poder de discriminação. Os pianos obedecem tanto a um toque de macaco, de um louco ou do Nelson Freire. Os pianos não são fins em si mesmos. São ferramentas. São construídos para tornar possível a beleza da música. Mas a beleza não é um objeto de conhecimento científico. Ninguém pode ser convencido a gostar de Bach por meio de raciocínios científicos. Não me consta que nenhum dos especialistas em construção de pianos da fábrica Steinway jamais tenha dado um concerto. Ciência eles têm. Mas falta-lhes a arte. Para que o piano produza beleza há os pianistas. Mas os pianistas nada sabem sobre ciência da construção dos pianos. O que eles sabem é tocar piano, coisa que não é científica... Os fabricantes de piano moram na caixa de ferramentas. Os pianistas moram na caixa de brinquedos.

A diferença está entre “ciência” e “sapiência”. Os teólogos medievais diziam que a ciência era uma serva da teologia. Parodiando eu digo que a ciência é uma serva da sapiência. A ciência é fogo que aumenta o poder dos homens sobre o mundo. A sapiência usa o fogo da ciência para transformar o mundo em comida, objeto de deleite. Sábio é aquele que degusta. Mas se o cozinheiro só conhecer os saberes que moram na caixa de ferramentas é possível que o excesso de fogo queime a comida e, eventualmente, o próprio cozinheiro...

4.2.10

Impossível descrever



Isadora Garcia



Sinto como se a dor em meu peito fosse tanta
Que me impedisse de andar,

De sair do lugar.



Sinto como se me afundasse,

Perdida num lugar estranho a mim.



Sinto como se minhas infinitas lágrimas

Fossem tudo o que eu pudesse dizer.



Sinto como se minha cabeça pesasse,

Cheia das tentativas fracassadas.

Dos discursos ensaiados,

Das previsões incertas.



Sinto-me inútil,

Impotente quanto a um assunto

Impossível de descrever.



7.12.09

Tempo de menos,

Vontade demais.

Tempo demais,

Talento de menos.