Vamos chegando na metade do ano e eu, adiantada, faço um balanço dele. Este ano tem sido tão pesado, tão repleto de emoções fortes. Ocorreram grandes coisas – boas e ruins – e a carga que seguro por estar vivendo tais experiências é grande. Estou esgotada, se é que me é permitido admitir.
Esse ano vi amizades se desfazendo, pessoas indo embora com raiva de mim... é impossível descrever o peso com que tais lágrimas correm cobrindo o meu rosto. Vê-los partir e nada poder fazer para que pelo menos lembrassem de mim com sorrisos...
Esse ano percebi meus avós mais doentes do que nunca, vivendo cada dia com menos forças, com menos vontade, sendo que qualquer um poderia lhes ser o último. E eu (dói demais admitir) tentando fingir que está tudo bem, fechando os olhos para o presente, tentando atar à minha mente memórias já difusas de dias alegres ao lado deles quando ainda sorriam e conversavam comigo.
Esse ano resolvi me preocupar um pouco menos com a escola e com a escolha do vestibular, achando que, assim, aliviaria as tensões que conheci ano passado e nas primeiras semanas desse. Mas, pelo visto, minha intenção não foi muito bem aceita pelos meus pais, que acham que, por se tratar do último ano, eu deveria estar dando mais de mim, esforçando-me mais do que nunca para conseguir realizar as expectativas deles em relação à minha colocação no vestibular. É claro que eu gostaria de ir muito bem, mas, sinceramente, prefiro relaxar minha mente e passar junto da maioria do que me estressar como eu estava me estressando para conseguir um lugar de mais prestígio.
Esse ano conheci mais sobre pessoas maravilhosas, que hoje me são amigos essenciais. E são essas pessoas que mantém vivo em meu rosto o sorriso que tento carregar todos os dias. Sim, nesse ano, apesar de tudo, sorri. Sorri muitas e muitas vezes graças às minhas amizades, graças ao sentimento maravilhoso de amar e ser amado sem dar ou querer em troca absolutamente nada, apenas a certeza de que amanhã será um dia alegre, afinal, será mais um dia ao lado dos meus amigos.
Na gaveta virtual dos textos esquecidos, achei um bem antigo (2007) que gostei! Aí vai...
O peso da responsabilidade Isadora Garcia
Da janela espio os homens. Seres indomáveis. Seres magníficos e maléficos. Seres muitas vezes marcados por cabelos grisalhos de muitas batalhas. Seres que erram e diputam. Seres que conquistam e se sacrificam. Seres de muitas características. Características provenientes do medo e da reponsabilidade de serem a única espécie inteiramente racional.
Sendo hoje o Dia nacional da poesia, não podia deixar de fazer esta homenagem! A poesia merece mais do que isso, na verdade, mas como não posso mostrar a todos do mundo o seu verdadeiro valor, fico com estes versos singelos neste dia chuvoso...
"A linguagem é uma armadilha. O poeta é o primeiro a reconhecer que dela não conseguimos escapar." A gaiola vazia, coluna de José Castello, Prosa & Verso do jornal O Globo, dia 20 de fevereiro de 2010
"Entre o bem e o mal, ergue-se (muralha impenetrável) a palavra." Agarrado a um poema, coluna de José Castello, Prosa & Verso do jornal O Globo, dia 12 de março de 2011
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"Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei/A caligrafia rápida destes versos/Pórtico partido para o Impossível" Tabacaria, Álvaro de Campos