21.6.10

O preocupar

Isadora Garcia


A noite me traz

O preocupar.

Silencioso, ardiloso,

Paira pelo ar.


Já tentei todos os remédios,

Não há como me medicar.

Basta o cair do dia

Para o sono ele me roubar.


Repetem-se as dúvidas,

Inútil é o pensar.

Saída não acho

Para me libertar.


Tateando no escuro,

Tento fugir.

Busco ajuda,

Não sei como agir.


É sempre o mesmo duelo,

Procuro medir.

Forço-me ao caminho certo

Mesmo tendo que me ferir.


O coração não posso

Sequer ouvir.

Insisto, imploro

Para desistir.


Cansada do mesmo lutar,

Me pego a dormir.

As forças parecem faltar,

Mas tento sorrir.

17.6.10

Comptine D'un Autre Été: L'après Midi (Yann Tiersen)

Isadora Garcia

O som doce destas notas,
ao tocar-me os ouvidos,
mistura-se ao meu coração.

Surge a vontade súbita de transpor

meus sentimentos com esta canção.


A melodia dança, suave,

não me atinge de forma natural.

Traz consigo uma magia única,

é algo maravilhoso, sensacional.


Meus olhos se fecham em silêncio

num ritual próprio de adoração.

A música canta, inocente

do próprio poder de invocação.


16.6.10

"Sem ver para onde vou, passo a remar.
Não sei quanto de mim constrói o barco,
Nem sei quanto de mim preenche o mar."

(fragmento do poema "A não-tormenta", de Henrique Rodrigues)

Limite

Henrique Rodrigues


Posso dominar o verso, não a vida

Que não cabe em laço, ou pode ser medida.


Há uma certa complacência nisso tudo,

Porque o verso pode estar assim, desnudo,


Para que eu o vista com o que me convenha.

Já a vida, esguia, não pede contra-senha


Que a revele. Está sempre por ser coberta

Com os véus do livre-arbítrio. E por ser incerta


É que a vida escorre aqui nesta ampulheta

Dos versos, halo tão-somente faceta


Que permite termos algo em nossas mãos.

Não sei toda a lavoura, deixo-te os grãos.


(Do livro A musa diluída)

6.6.10

Um ano de muito peso

– um desabafo há muito tempo engasgado

Vamos chegando na metade do ano e eu, adiantada, faço um balanço dele. Este ano tem sido tão pesado, tão repleto de emoções fortes. Ocorreram grandes coisas – boas e ruins – e a carga que seguro por estar vivendo tais experiências é grande. Estou esgotada, se é que me é permitido admitir.


Esse ano vi amizades se desfazendo, pessoas indo embora com raiva de mim... é impossível descrever o peso com que tais lágrimas correm cobrindo o meu rosto. Vê-los partir e nada poder fazer para que pelo menos lembrassem de mim com sorrisos...


Esse ano percebi meus avós mais doentes do que nunca, vivendo cada dia com menos forças, com menos vontade, sendo que qualquer um poderia lhes ser o último. E eu (dói demais admitir) tentando fingir que está tudo bem, fechando os olhos para o presente, tentando atar à minha mente memórias já difusas de dias alegres ao lado deles quando ainda sorriam e conversavam comigo.


Esse ano resolvi me preocupar um pouco menos com a escola e com a escolha do vestibular, achando que, assim, aliviaria as tensões que conheci ano passado e nas primeiras semanas desse. Mas, pelo visto, minha intenção não foi muito bem aceita pelos meus pais, que acham que, por se tratar do último ano, eu deveria estar dando mais de mim, esforçando-me mais do que nunca para conseguir realizar as expectativas deles em relação à minha colocação no vestibular. É claro que eu gostaria de ir muito bem, mas, sinceramente, prefiro relaxar minha mente e passar junto da maioria do que me estressar como eu estava me estressando para conseguir um lugar de mais prestígio.


Esse ano conheci mais sobre pessoas maravilhosas, que hoje me são amigos essenciais. E são essas pessoas que mantém vivo em meu rosto o sorriso que tento carregar todos os dias. Sim, nesse ano, apesar de tudo, sorri. Sorri muitas e muitas vezes graças às minhas amizades, graças ao sentimento maravilhoso de amar e ser amado sem dar ou querer em troca absolutamente nada, apenas a certeza de que amanhã será um dia alegre, afinal, será mais um dia ao lado dos meus amigos.


13.5.10

Na gaveta virtual dos textos esquecidos, achei um bem antigo (2007) que gostei! Aí vai...


O peso da responsabilidade
Isadora Garcia

Da janela espio os homens.
Seres indomáveis.
Seres magníficos e maléficos.
Seres muitas vezes marcados por cabelos grisalhos de muitas batalhas.
Seres que erram e diputam.
Seres que conquistam e se sacrificam.
Seres de muitas características.
Características provenientes do medo e da reponsabilidade
de serem a única espécie inteiramente racional.

9.5.10

O que eu mais quero no mundo

Isadora Garcia (para bruno)

Em primeiro lugar, a sua felicidade.
Em segundo, o seu perdão.
E em terceiro, um abraço seu.

Sei que não posso ter os três,
por isso me calo, aguardo.

Talvez um dia tudo mude,
o tempo há de me acudir.

Por enquanto escondo
meu desejo imenso
de ver você sorrir.

26.4.10

De dia, de noite...
Agora não mais importa,
vejo estrelas em toda parte...

28.3.10

Início do fim

Isadora Garcia


Aqui dentro

pesa a dor da culpa.

Saber como te magoei

é meu castigo.


Se algo pudesse fazer

para rever o teu sorriso,

saiba, já teria feito.


Por favor não sofra,

não vale a pena,

eu não valho a tua dor.

14.3.10

Princípio comum

Isadora Garcia


Num segundo me vem a vontade

de tudo o que sinto poder expor.

Corro então, busco a verdade

de cada palavra que venero com amor.


Muitas vezes o que fica é o vazio,

a procura ainda não acabou.

Pelos labirintos de rimas vadio,

pois a tentativa primeira não saciou.


Então de repente o conflito faz sentido,

reconheço-me por inteiro depois de ter lido,

aquieto meu peito e sorrio por ter conseguido.


Na poesia acho não a resposta, mas a solução.

Sua magia me fascina e me dá gratidão.

Sentimentos e palavras em perfeita união.


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Sendo hoje o Dia nacional da poesia, não podia deixar de fazer esta homenagem! A poesia merece mais do que isso, na verdade, mas como não posso mostrar a todos do mundo o seu verdadeiro valor, fico com estes versos singelos neste dia chuvoso...