Isadora Garcia
A dor passa,
A arte fica.
Pacifica.
13.1.14
Today I met someone
Isadora Garcia
Today I met
someone so... strange.
I
have met someone
And she was
so… different,
She was so
different from me,
She was…
interesting.
Today I
just met someone
suddenly…
Today I
suddenly met someone
Someone I
think I know
Someone I
think I knew
Someone
strange
A stranger.
Today I met
a stranger
A Stranger
to me…
Today I met
someone
And I think
it was
Myself.
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27.12.13
Descasca-te
Isadora Garcia
A vida se esconde embaixo de tudo.
A superfície não basta,
Só visão embaça,
Vivemos na massa
E a massa maçante envolve a vida numa casca
Casca grossa, dura, impenetrável.
Será?
Não.
Impenetrável superfície,
Mas meus olhos vão além,
Eles têm que ir.
Olhos cansados, amassados, emassados,
esses olhos não veem,
Mas os meus vão além,
veem abaixo,
perpassam a casca,
descascam a vida,
descascam-se,
descasco-me.
E vivo.
A vida se esconde embaixo de tudo.
Na superfície tudo boia.
Prefiro afundar,
Navegar pelos mares da vida-marinha,
da vida-escondida,
da vida-...
...-perdida?
Não.
Nela me acho,
Nela me sinto,
Nela sou.
E só nela.
Eu sou nela.
Aqui em cima,
Bem...
Aqui em cima represento.
Espetáculo oco sob(re) a vida
enclausurada
na casca.
Poucos sabem descascar.
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Viver é
Isadora Garcia
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O que é viver?
Viver é conseguir?
Viver é persistir?
Viver é desistir?
Viver é conseguir sem persistir?
Viver é persistir sem desistir?
Viver é desistir sem conseguir?
Viver é conseguir sem desistir?
Viver é desistir sem persistir?
Viver é persistir sem conseguir?
Viver é tudo.
Viver é nada.
Viver é tudo ou nada.
Viver é.
E o que é?
Eu sou?
E o que sou?
Eu sou vida.
Eu sou tudo.
Eu sou nada.
Eu sou tudo ou nada.
E a vida?
Passou.
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Escrevo em sonho
Isadora Garcia
EscreeeeeeeeevoPARO.
Pennnnnsssssssoo...
Soooono. . .
SoNhO...,...?...!...,...?.”...”.
Acordo! Escrevo! Apago! Escrevo!
Risco. O que era mesmo?
...? !!!? .,.?? “?” ? ... .
perco.
OOlhoo...
...............aguardo...............
Soooono. . .
SoNh-
Acordescrevapaguescrevo!
E ponto)
E pronto)
É isso)
Só isso)
Sorriso)
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20.12.13
.
Isadora Garcia
Vazio.
Silêncio.
Solidão.
Sua ausência me perturba
Seus olhos me faltam
Sua alegria me carece.
Choro o vazio da casa
Choro o vazio do peito
Choro a partida
Choro a impossibilidade do regresso
Choro.
Estico minha mão e todo o vazio
Mas o nada não é macio como você
Mas o nada não conforta
O nada não me olha
O nada não me entende.
Procuro presença
na ausência
Procuro conforto
na dor.
Não há.
Não há.
Não há.
Ficou o nada
e o nada não responde.
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16.5.13
Verdades guardadas
Isadora Garcia
Choro a iminência da descoberta
Segura me sinto, cá, encoberta
Teus olhos vendados são mais felizes
Teu coração guardado das cicatrizes
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Choro a iminência da descoberta
Segura me sinto, cá, encoberta
Teus olhos vendados são mais felizes
Teu coração guardado das cicatrizes
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A cena final
Isadora Garcia
Cada ponto final era como uma facada, cada vez alcançando espaços mais íntimos nas entranhas da velha. Era a última vez, ela sabia. Não haveria um próximo encontro, não haveria mais futuro, não haveria mais nada, era o fim. Não estava preparada para o adeus ainda, ela repetia, enquanto seus olhos, já embaçados pela emoção, deixavam escapar uma lágrima, única representação verdadeiramente física de seu sofrimento. Mas não havia mais como desistir, o acordo estava feito e este era o momento do adeus. As dores das feridas ardiam e matavam a escritora por dentro. Ela não podia parar, ou não chegaria ao fim, tinha consciência de sua limitação. Era pouco o ar que chegava a seus pulmões, estava morrendo. Morria junto com o fim da história que escrevia. Não era um fim como os outros, ah!, não era! Este fim marcava, também, o término de uma vida conjunta, de um amor incompreensível a corações humanos. A velha amava aquele homem com mais intensidade do que saberia explicar. E o fato de que dela dependia a existência dele queimava por dentro. Ele só morreria por causa dela, era tudo sua culpa. Seu corpo tremia. Estava ponto um fim à vida de ambos. A velha morria por matar seu personagem e ele morria em virtude da morte de sua criadora. Não havia alternativa, não havia saída. Ela soluçava. Seu sangue encontrava dificuldade para percorrer o caminho até seu coração. O barulho das teclas acompanhava as facadas que lhe tiravam a vida. Chegara a cena final do último dos romances figurados pelo vilão. Ele já avistara sua vitma: parada, sentada diante de uma máquina de escrever. Este seria o último assassinato, seria o golpe definitivo, mataria vitma e vilão, estranhamente misturados em seus papéis. O homem já estava próximo o suficiente, sedento por sangue, quando percebera que sua presa chorava, consciente do próximo evento. Mas isso pouco lhe importava. Este era seu destino, este era seu ofício. E com um último suspiro, a velha escreveu o ponto final.
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29.12.12
Fim súbito para o amor
Isadora Garcia
Não havia absolutamente nada que os conectasse, que pudesse fazer suas vidas se cruzarem, ou que possibilitasse um encontro casual. No entanto, da forma mais casual possível, seus caminhos deixaram de ser paralelos e, em um dado momento, sem que houvesse maior explicação do que o simples acaso, conheceram-se.
Digo desta forma: "conheceram-se", justamente por ter sido algo bem rápido, e não um processo longo, como normalmente levamos para afirmarmos que conhecemos alguém. O que normalmente leva-se meses para se tornar concreto, formou-se em pouco mais do que alguns dias. Não sei se foi a vontade de estarem juntos, se foi o fato de combinarem, ou se há alguma explicação para que tudo tenha ocorrido tão rápido, mas o fato é que, em poucas semanas, havia amor.
É difícil saber exatamente quando as coisas começaram a não dar certo. Não é que tenham surgido brigas ou discussões, mas tudo se tornou simplesmente confuso. É, acho que confusão é a palavra que define este momento daquela relação. Os dois estavam assustados e não havia como acalmá-los por meio de lógica, já que não existia lógica alguma naquilo tudo. E era impossível desligar as preocupações sem explicação racional para a paixão.
Aflitos e com medo, decidiram que o melhor era fazer aquilo parar. Já não pensavam mais no amor, apenas na confusão. Eles buscavam soluções para problemas dos quais eram eles próprios criadores, mas disso não se davam conta, é claro. E foi desta forma que o amor foi posto de lado e a razão tomou seu lugar. Assim que tomaram a decisão, se acharam muito responsáveis, os dois. Era admirável como conseguiam lidar com a situação com os pés no chão!
Dias passram e não, não funcionou. Foi súbita a maneira como suas vidas se cruzaram, mas não era possível que fosse igualmente súbita a separação dos dois. Antes, não havia nada, mas depois... Não se mata uma relação, uma história, um sentimento do dia para a noite, com um assinar de papéis. Não, não é assim que funciona. O ser humano é mais complexo que isso, é muito mais fascinante que isso! Se o amor fosse um jogo de regras definidas, não o jogaríamos a vida inteira com tamanha curiosidade. Se fosse fácil assim, haveria manuais, prescrições e até remédios (e, certamente, há os que os queiram!).
Observo de longe esses dois tolos que ainda ontem estavam sorrindo, achando que haviam feito a coisa certa e que haviam findado o problema. "Problema", chamam eles, mas que horror! Isso haveria de me agredir, de me ofender, mas nem ligo. Estou aqui a rir, enquanto eles pensam que se livraram do amor. Mal sabem eles a força que este sentimento tem. Mal sabem eles que é inútil tentar matar assim, de repente, algo que está predestinado a uní-los para sempre. Vou até ajeitar-me na poltrona, a história desses dois vai ser gostosa de assistir.
13.11.12
Roteiro da resignação
Isadora Garcia
Empenho,
vontade,
dedicação.
Esforço,
cansaço,
tentação.
Dúvida,
angústia,
distração.
Foco,
meta,
satisfação.
Orgulho,
coragem,
avaliação.
Crítica,
ordem,
rejeição.
Tristeza,
amparo,
consolação.
Estímulo?
Desânimo.
Determinação?
Desistência.
Conformação?
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Empenho,
vontade,
dedicação.
Esforço,
cansaço,
tentação.
Dúvida,
angústia,
distração.
Foco,
meta,
satisfação.
Orgulho,
coragem,
avaliação.
Crítica,
ordem,
rejeição.
Tristeza,
amparo,
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