31.3.11

Longa espera

Isadora Garcia

Quero o calor de um abraço
Todo dia a me confortar
Quero o som de um riso
Como um afago a me sustentar

Quero distante a saudade
Que hoje vem me incomodar
Quero sentir em um beijo
A doçura que busco num olhar

Volte pro meu peito, amor
Traga no teu jeito fervor
Encontre no meu leito fulgor

Lembre-me do deleito calor
De provar o perfeito sabor
Da paixão, sujeito e autor

9.2.11

Silêncio de doce melodia 2

Isadora Garcia

Silêncio de doce melodia
Refizeste em mim a parceria?
Notaste outra vez a sintonia
Trazendo auxílio então na poesia?

Silêncio de sorrateira ventania
Convence o coração da fantasia!
Varre de meus ouvidos na correria
A saudade de antiga companhia!

Apaga da memória a cortesia
Esconde do beijo a ousadia
Disfarça do desejo a euforia.

Mostra-me com tua sabedoria
Que é melhor quando anestesia
O amor que hoje me angustia.


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Veja aqui o primeiro "Silêncio de doce melodia"
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3.2.11

Sentimento essencial

Isadora Garcia

Impossível provar teu sabor
Sem, na despedida, sofrer a dor
E, na expectativa, reinar o temor
De nunca mais sentir teu calor.

Mesmo sabendo ser tu das loucuras autor,
Não posso meus dias sem ti compor,
Pois a falta de teus frutos me leva ao torpor,
Destrói da vida o sentido, me traz o rancor.

Por isso te peço: devolva-me o fulgor.
Ouça o pedido que faço com ardor,
Traga de volta aos meus dias a cor.

Se pedir, sou tua sem me impor,
Da tua condição aceito o valor,
Mas volte ao meu peito, amor.

3.1.11

Constatações de uma noite chuvosa

Isadora Garcia


Sabe quando tudo

não parece o bastante?

Sabe quando o vazio

torna-se constante?

29.12.10

Expectativas de um novo ano

Isadora Garcia

Momentos que passaram
Não podemos fazer voltar
Mas aqueles que ainda vêm
Podemos modificar

Esqueçamos as tristezas
Enterremos o arrependimento
Com um novo suspiro
Comecemos um novo tempo

Forças hemos de ter
Em uma nova era
Temos que crer

O novo há de ser
O melhor que
Iremos viver

26.10.10

Felicidade gratuita

Por: Isadora Garcia

Uma lágrima emocionada varre meu rosto. Não sei bem porque ela invade minha noite; não consigo decifrar, muito menos pôr em palavras essa felicidade pura e sem motivo que me enche e completa.

O despertar de sentimentos bons, o crer num amanhã mais colorido, a certeza de um futuro mais próspero, recebo em avalanche tais inexplicáveis sensações e sorrio. Meu riso é bobo e inocente, já inerente a uma expressão de alegria presente.

Deixo aqui, portanto, este pequeno bilhete, registrando um momento mágico e indescritível de simples complexidade. Amarro a ele um sorriso, penduro junto a uma canção e isso basta para minha satisfação.

Um livro, um filme, uma amiga e uma canção. Coisas bobas que fizeram minha noite feliz. =)

21.10.10

Até quando direito vai ser dever?

Isadora Garcia

Tanta gente votando sem saber
Tanta gente votando sem querer
Tanta gente votando por você

Até quando direito vai ser dever?

Desde quando meu voto está a venda?
Desde quando me vestem esta venda?
Desde quando cidadania virou lenda?

Até quando serei julgada pela renda?

Procuro onde prenderam minha liberdade
Procuro onde ficou minha dignidade
Procuro onde se perdeu a sociedade

Até quando inventarão novas verdades?

7.9.10

Silêncio de doce melodia

Isadora Garcia

Silêncio de doce melodia
Vieste acordar minha melancolia?
Apontar-me tão cedo a luz do dia
Sereno e demorado em tua cortesia?

Silêncio de transparente poesia
Vieste livrar-me de tal nostalgia?
Levar de vez em tua companhia
Toda essa minha fantasia?

Encobre-me em tua sinfonia
Afasta-me de tal euforia
Ensina-me a tua terapia.

Auxilia-me nessa travessia
Até que sobre tal ousadia
Tenha eu total autonomia.

4.9.10

Um adeus tardio

Isadora Garcia
Para Francisco Pedro Garcia
.
.
Tento apegar-me a memórias difusas
de um passado feliz ao teu lado.
Eras tão sábio, tão erudito,
um homem que construiu uma vida de glórias
com o suor e a vontade de vencer
que guardava no peito.
.
As lágrimas não param de rolar meu rosto.
Choro com a fraqueza de uma criança,
tão pequena frente ao mundo, tão impotente.
Choro com a força de um adulto,
que, infelizmente, compreende o que se passa
e se arrepense como nunca pensou ser possível.
.
Foste embora, sim, já era previsto,
mas a dor que suporto, esta não me era conhecida.
Foste embora e me deixaste tua lágrima,
cena que ficará presa, vívida em mim
fazendo companhia para o aperto em meu peito.
.
Perdoe o vazio de minhas palavras caladas.
Se pudesse, berrava agora meu amor para o mundo.
Perdoe meus erros, me perdoe...
Só agora vejo a importância
que teria tido aquele adeus.

3.8.10

O egoísmo do amor

Por: Isadora Garcia


Se algo aprendi nos últimos dias, sem dúvida é que o amor é um sentimento egoísta. Quando se ama, por mais que jure para si mesmo que o que mais importa nesse mundo é a felicidade da pessoa amada, o coração dará um jeito de enganar a razão e agir por conta própria, buscando a realização de suas vontades, sem nem pensar nas conseqüências de seus atos.


Quando se ama, o sentimento é tão forte, que ignora-se o do outro, pensando sempre ser o único dotado de tamanho amor. O que o outro sente, a maneira como o outro age, o ser apaixonado não busca entender nada extrínseco ao seu amor, o que resulta na formulação de certezas errôneas e, principalmente, egoístas.


O amor pode ser o melhor dos acontecimentos, mas pode também ser o pior. A capacidade destrutiva do amor é inacreditável. Como costumam dizer, o amor é cego, mas cego não para enxergar os defeitos do que se ama e sim para enxergar o mundo ao seu redor. O amor ignora a existência de outras coisas a sua volta, de outras pessoas e seus respectivos amores e é aí que entram os desentendimentos, as brigas, os atos impensados e a capacidade destrutiva do melhor sentimento de todos.


Sei que, mesmo depois de toda essa conclusão triste, quando chegar a minha vez de sentir o que por hora observo, agirei desta mesma maneira, passarei por cima de sentimentos alheios e deixarei feridas que não pretendo, que no futuro arderão mais ainda no meu próprio coração repleto de amor.