20.5.11

Discursos Calados II

Isadora Garcia

Pensamentos via eu fluírem por teus olhos
Sentimentos tinha eu escorrendo pelo peito
Mas nada disso mudava a presente ocasião:
Era o silêncio que reinava em nossa separação.

Buscando respostas no passado recente
Seguia frustrada o diálogo ausente
Torcendo então para que negasses o dito
E desistisses daquilo rápido e aflito.

Arrastava-se dolorosa dos instantes a tardança
Morria no meu peito lentamente a esperança
Temia a obrigação de guardar-te em lembrança

Palavras, cega, eu esperava
Ausentes sons tu me deixavas
Tua boca muda já me faltava...

Discursos calados I

Isadora Garcia

Já muito busquei em minha vida
Palavras com mais emoção
Do que aquelas que segredávamos
Um ao outro no mais profundo silêncio.

Teus olhos tão intensos e penetrantes
Colocavam palavras jamais proferidas
Nos lábios cerrados curvados em aviso
Que tanto ficava eu a admirar.

A cada vislumbre, mil significados.
A cada encontro, mais calados.
A cada instante, mais apaixonados.

Teus lábios queria tocar.
Tua mente, penetrar.
Nossos discursos, efetivar.

16.5.11

Instável aliança

Isadora Garcia

A insegurança
é a base que me sustenta
nessa nova fase que vivo.

Sem poder confiar em
minhas próprias escolhas,
Sofro a inquietude de pernas bambas
que insistem em me guiar rumo ao futuro.

A dificuldade da travessia,
A incerteza que me rege,
O vai e vêm de inquietos
pensamentos conturbados...

Almejo o dia em que em mim encontrarei
as respostas de minhas dúvidas constantes.
Quando a busca por certezas chegará ao fim?
Ou será a vida sempre esta angustiante luta?

A insegurança
é a base que me sustenta
nessa nova fase que vivo.

...pelo menos tenho uma companhia
eternamente a me reerguer.

31.3.11

Longa espera

Isadora Garcia

Quero o calor de um abraço
Todo dia a me confortar
Quero o som de um riso
Como um afago a me sustentar

Quero distante a saudade
Que hoje vem me incomodar
Quero sentir em um beijo
A doçura que busco num olhar

Volte pro meu peito, amor
Traga no teu jeito fervor
Encontre no meu leito fulgor

Lembre-me do deleito calor
De provar o perfeito sabor
Da paixão, sujeito e autor

9.2.11

Silêncio de doce melodia 2

Isadora Garcia

Silêncio de doce melodia
Refizeste em mim a parceria?
Notaste outra vez a sintonia
Trazendo auxílio então na poesia?

Silêncio de sorrateira ventania
Convence o coração da fantasia!
Varre de meus ouvidos na correria
A saudade de antiga companhia!

Apaga da memória a cortesia
Esconde do beijo a ousadia
Disfarça do desejo a euforia.

Mostra-me com tua sabedoria
Que é melhor quando anestesia
O amor que hoje me angustia.


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Veja aqui o primeiro "Silêncio de doce melodia"
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3.2.11

Sentimento essencial

Isadora Garcia

Impossível provar teu sabor
Sem, na despedida, sofrer a dor
E, na expectativa, reinar o temor
De nunca mais sentir teu calor.

Mesmo sabendo ser tu das loucuras autor,
Não posso meus dias sem ti compor,
Pois a falta de teus frutos me leva ao torpor,
Destrói da vida o sentido, me traz o rancor.

Por isso te peço: devolva-me o fulgor.
Ouça o pedido que faço com ardor,
Traga de volta aos meus dias a cor.

Se pedir, sou tua sem me impor,
Da tua condição aceito o valor,
Mas volte ao meu peito, amor.

3.1.11

Constatações de uma noite chuvosa

Isadora Garcia


Sabe quando tudo

não parece o bastante?

Sabe quando o vazio

torna-se constante?

29.12.10

Expectativas de um novo ano

Isadora Garcia

Momentos que passaram
Não podemos fazer voltar
Mas aqueles que ainda vêm
Podemos modificar

Esqueçamos as tristezas
Enterremos o arrependimento
Com um novo suspiro
Comecemos um novo tempo

Forças hemos de ter
Em uma nova era
Temos que crer

O novo há de ser
O melhor que
Iremos viver

26.10.10

Felicidade gratuita

Por: Isadora Garcia

Uma lágrima emocionada varre meu rosto. Não sei bem porque ela invade minha noite; não consigo decifrar, muito menos pôr em palavras essa felicidade pura e sem motivo que me enche e completa.

O despertar de sentimentos bons, o crer num amanhã mais colorido, a certeza de um futuro mais próspero, recebo em avalanche tais inexplicáveis sensações e sorrio. Meu riso é bobo e inocente, já inerente a uma expressão de alegria presente.

Deixo aqui, portanto, este pequeno bilhete, registrando um momento mágico e indescritível de simples complexidade. Amarro a ele um sorriso, penduro junto a uma canção e isso basta para minha satisfação.

Um livro, um filme, uma amiga e uma canção. Coisas bobas que fizeram minha noite feliz. =)

21.10.10

Até quando direito vai ser dever?

Isadora Garcia

Tanta gente votando sem saber
Tanta gente votando sem querer
Tanta gente votando por você

Até quando direito vai ser dever?

Desde quando meu voto está a venda?
Desde quando me vestem esta venda?
Desde quando cidadania virou lenda?

Até quando serei julgada pela renda?

Procuro onde prenderam minha liberdade
Procuro onde ficou minha dignidade
Procuro onde se perdeu a sociedade

Até quando inventarão novas verdades?