28.10.09

Cinco meses em cinco minutos

Por: Isadora Garcia


Estava estática. Não conseguia desviar meus olhos da profundidade dos teus. A distância que nos separava já era insignificante e eu sentia minhas mãos tremerem. Tudo o que eu havia passado até aquele momento despertava um sentimento que naquele instante fluía por todo o meu corpo.


Ao menor sinal de um movimento teu, meu coração pulsava enlouquecido. Foi quando colocastes uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha e aproximaste teu rosto, segurando carinhosamente o meu em tuas doces e delicadas mãos. Meus olhos se fecharam lentamente sem que eu tomasse conhecimento. Experimentava uma sensação única.


Quando, finalmente, depois de todos aqueles meses em que te esperei, nossos lábios se tocaram, um show de sensações se espalhou em meu peito. Queria te prender a mim para sempre, queria eternizar aquele momento, queria, ao mesmo tempo, sentir cada detalhe do teu movimento suave e atropelar tudo, liberando o que guardei só pra mim por tempo mais do que suportável.


Nossos rostos se afastaram então e achei difícil abrir os olhos. Quando finalmente o fiz, encontrei o brilho do teu olhar, o carinho da tua expressão, o calor do teu sorriso... Inacreditável. Sorri de volta, tímida, e deitei minha cabeça no teu ombro, entregando-me ao que foi o melhor abraço de todos que já havia dado.


Saber que todas as vezes que suportei a tua ausência, e mesmo a tua indiferença, valeram a pena me trazia mais do que felicidade. Uma lágrima teimosa acabou caindo, mas enxuguei-na de modo que não percebestes. Não importava mais o passado, o sofrimento. Iríamos enfrentar juntos tudo o que nos fosse colocado do caminho. E eu poderia finalmente ser feliz.

22.10.09

A esperança é a última que morre

Por: Isadora Garcia


"Lá, a felicidade assombra, porque, ora bolas, é o que se repete desde os tempos bíblicos, a esperança será a última a morrer. Sobrevivendo aos sonhos desmedidos, aos gestos bem intencionados, à miopia criada pelos hábitos, às palavras ditas sem pensar, à paralisia do orgulho, à sinceridade inconsequente, às desculpas que chegaram tarde demais."


"Fábula Urbana", Maurício Gouveia, "Clube da Leitura - modo de usar - vol I"




A esperança é um sentimento estranho. Ela não pede licença e se intromete nos nossos assuntos, quando vamos ver, ela já está em nós, alojada, e acabamos gostando, acabamos alimentando-na.

Dona do próprio nariz, a esperança mora em qualquer lugar. Onde ela vê que está surgindo uma certa tristeza, um certo ar de descrença ela se abriga, se instala. E não adianta reclamar, que ela é decidida e não vai embora até que você pense que nem ela.

A esperança é indestrutível, ela sabe que enquanto houver vida ela existirá, ela sabe de tudo, ela é dona de tudo. Mas nem por isso ela se acha, ela fica se gabando por aí... A esperança, na verdade, é bem modesta, até... Ela é camarada, anda com todo mundo, em qualquer época da história, em qualquer estação do ano, em qualquer lugar do planeta.

Para a esperança somos todos iguais e merecemos todos um bom futuro. Para ela há solução pra tudo e não há o que temer. A esperança acredita em cura pra corrupção, fim de guerras, paz mundial, fim do preconceito, cura pro câncer, cura pra AIDS, fim do desmatamento. Ela acredita em sorrisos, em abraços, em felizes para sempre, eu te amo, saudades, promessas, perdão.

Se todos fossem que nem a esperança o mundo seria mais verde, haveria mais arco-íris por aí, mais amor no coração, mais gente olhando pro céu sorrindo para seus próprios pensamentos. Mas a esperança não vai desistir nunca. A meta dela é convencer a nós todos de que toda a bondade é possível. A esperança tem uma finalidade. A esperança é a última que morre, mas no dia em que ela conseguir alcançar seu objetivo, ela promete que vai se mandar. E aqui embaixo ficaremos todos morrendo de saudades dela, mas ainda assim seremos felizes, repetiremos seus ensinamentos todos os dias, credores de um futuro muito melhor para todos.

17.10.09


Do que me sufoca

Isadora Garcia



Prendo no peito o que penso perante a ti
Escondo encolhido o embrulho de emoções
Desisto de novo de devolver o desejo
Caminho confusa contando as consequências
Atuando antes de alcançar o atalho

Sei que somente sincera saberei se sim
Vejo verdades voando no vento
Nego porém ter notado naquela noite
Ternura no tempo em que tentada tentei
Olhar em teus olhos observando outrem.

15.10.09


Ontem fez um ano que eu mergulhei de cabeça numa nova vida. Ontem fizemos um ano de namoro. Há um ano que construímos a nossa história e não mais cada um a sua. Desde o dia 14 de outubro do ano passado eu sorrio ao lado dele e ele ao lado meu. Ontem eu ganhei um presente maravilhoso: uma aliança de compromisso com o nome dele gravado e a nossa data. Estou tão feliz que não consigo nem conter meu sorriso bobo ao admirar o anel no meu dedo anelar. É tudo tão mágico quando estamos juntos, me sinto tão segura em seu abraço, observar aqueles olhos lindos me traz uma paz, uma certeza de que será pra sempre que é simplesmente indescritível...


Deixo aqui em homenagem a este aniversário então a música que ele fez e que tocou pra mim antes de me pedir em namoro:


Você e eu

Bruno Cabral

Para Isadora Garcia


Penso em você a cada instante

No seu olhar, no seu sorriso

Esteja perto ou distante, não importa

Penso em você comigo!


Foi assim tão de repente

Seu olhar cruzou com o meu

E a partir desse momento

eu sabia que era só seu


Você é a rima dos meus versos

Minha maior inspiração

É tudo que eu penso

As letras da minha canção


Fomos feitos um pro outro

E não estou errado

Sou louco por você

Completamente apaixonado


Te amo, fica comigo

Te quero, eu te preciso

Não da mais para viver

longe do seu amor

Fica comigo, e esquece tudo o que passou

10.10.09


As regras:
.
1 - Dizer quem te presenteou com o selo e colocar o link do blog;
2 - Copiar o questionário e responder a ele;
3 - Presentear blogs com o selo e avisá-los sobre isso.
.
O questionário:
.
1. MANIA: escrever.
2. PECADO CAPITAL: preguiiiiça....
3. MELHOR CHEIRO DO MUNDO: o cheiro do meu namorado.
4. SE DINHEIRO NÃO FOSSE PROBLEMA EU FARIA: viagens pelo mundo inteiro, levando em cada viagem um amigo querido.
5. CASOS DE INFÂNCIA: muitas e muitas travessuras com a minha melhor amiga Nine que tínhamos que fazer escondidas da babá dela, Graça.
6. HABILIDADES COMO DONA DE CASA: arrumar a cama vale?
7. O QUE NÃO GOSTA DE FAZER EM CASA: lavar pratos.
8. DESABILIDADES COMO DONA DE CASA: cozinhar, lavar e passar roupa, tudo!
9. FRASE: Faça ao outro aquilo que quer que ele faça com você.
10. PASSEIO PARA ALMA: ler e escrever poesias.
11. PASSEIO PARA O CORPO: parque de diversões! =D
12. O QUE ME IRRITA: falsidade.
13. FRASE OU PALAVRA QUE FALA MUITO: "cara!"
14. PALAVRÃO MAIS USADO: "porra"
15. DESCE DO SALTO E SOBE O MORRO QUANDO: sofro injustiças ou algum amigo meu as sofre.
16. PERFUME QUE USA NO MOMENTO: Lacoste touch of pink.
17. ELOGIO FAVORITO: "Mô, você é linda!" (Bruno! ^^)
18. TALENTO OCULTO: imitar um apito com a língua (não, não é um assovio)
19. NÃO IMPORTA QUE SEJA MODA NÃO USARIA NEM NO MEU ENTERRO: aquelas sandálias horrorosas que são de plástico, com o bico mais redondo do que não sei o quê, cheias de furos e com cores fortíssimas, nossa!
20. QUERIA TER NASCIDO SABENDO: química e física!
21. EU SOU EXTREMAMENTE: gulosa.

Recebi o selo do blog "Mulher é desdobrável" (obrigada, Tati, vc é que é uma fofa!) e o passo para o "Diálogos a Sós", da Júlia.


PS: Sei que o blog está acumulando uma certa poeira, mas é que estou começando a escrever um livro! Bem, não sei se esse vai dar certo, pq eu já tentei antes e acabei deixando a história abandonada aqui no computador, mas vamos torcer! Mas, apesar disso, vou ver se eu escrevo algum poema ou conto ou "desafio" para postar aqui =) Beijos!

27.9.09


O que pesa e o que preenche

Isadora Garcia



Escrevo e fico mais leve.

Escrevo e torno-me mais pesada.

Porém este peso segundo não me incomoda

como o que sentia antes.


O pioneiro, o peso ruim, o peso pesado

machucava-me porque era tudo o que eu tinha a dizer

preso,

imperfeito,

confuso,

errado.


Mas, quando organizado,

quando, mais que sentido, explorado,

o peso preso caiu no papel

e encontrou seu destino

que é pesar naquele que o ler,

mas pesar de outra forma,

pesar como me pesou o segundo peso,

aquele que preenche, que enriquece.


Meu desejo mais profundo

é fazer essa troca de pesos diariamente.

Deixar cair na folha o peso que me pesava

E absorver na leitura o peso que me preenche.

21.9.09


Irrecusável

Isadora Garcia



Sinto-me invocada,

atraída,

chamada.


Sinto-me hipnotizada,

levada (sem aparente razão),

puxada.


Mas não me importo.

Antes mesmo que perceba,

me entrego,

me deixo guiar

por tal força desconhecida, suprema.

Tão misteriosa,

que muitas vezes me faz tentar descrevê-la.


Caminho junto a ela,

não me perco,

parece que sempre andei por tais trilhas.

A adaptação é imediata.


Abro espaço e a domino;

Abro a mente e a domestico.

Agora eu que a levo comigo.


A poesia, mesmo rebelde,

se entrega, assim como fiz,

se deixa guiar, une-se a mim,

muitas vezes me auxilia,

e nunca me abandona.


A vocação concretizou-se,

o chamado foi atendido,

o dom foi exercitado,

o talento foi desenvolvido,

a parceria se iniciou.

18.9.09


A evasão dos versos

Isadora Garcia



Roubaram-me os versos

só o que me restam são

resquícios de uma mente fértil

impossibilitada de se expressar.

13.9.09

“Saldade”


Sim, saldade com L mesmo, deixe que eu a escreva como quero, que essa minha saldade vem de mim e não de você, então sou eu sua dona e sua criadora. Escrevo-a assim, neologisticamente, porque essa não é uma saudade comum, batida, que já deu muito o que falar. A minha saldade tem gostinho de sal, tem presença de inerente tempero no meu dia.


Basta-me acordar logo de manhãzinha que ela vem rodear o meu espírito e me lembrar de coisas que há muito minha cabeça havia arquivado no baú do esquecimento. Sinto de repente novamente então todos os efeitos de um tempo que já passou, mas que, simultaneamente, se faz presente em cada inspiração que dou.


Sinto a falta da minha infância, daquela versão simples e inocente do meu eu atual, que podem até com razão apontar como jovial, mas que muito já aprendeu e, desde então, muito mudou e cresceu.


Lembro com um aperto no peito da minha casa, do lugar onde nasci e fiz muitos amigos. Por lá só tive coragem de passar duas ou três vezes desde que deixei, forçada, seu conforto maternal. Ao olhar com olhos molhados as paredes daquele antigo edifício, pesou em mim uma culpa enquanto li as letras da palavra abandono nas velhas janelas.


As memórias que armazeno em local privilegiado não me deixam mentir e podem até doer, saldosamente arder, mas são bens que guardo a sete chaves com amor e proteção animal.


Sonho acordada desde noites de natal até fatos que se repetiam diariamente. Assisto um filme em preto e branco nas lentes da minha infância e (re)vejo almoços de domingo do chefe (nos dois sentidos). Seus cabelos brancos já estavam lá, mas naquela época era tão diferente, tão vivo, ativo, presente em minha vida.


Limpo hoje a poeira de tais lembranças e choro, criança, a dor de outro tempo. Minha avó, tão atenta, estava ali ao meu lado e mal a notava. Hoje sofro a mente alterada de alguém que não mais me reconhece. Hoje lamento não ter aproveitado como deveria seus afagos e palavras de carinho.


Quero chorar agora todas as tardes na varanda, todos os cantos dos pássaros, todas as brincadeiras e correrias pela casa. Quero lavar de mim toda a tristeza de ter perdido uma época tão boa e poder continuar guardando as lembranças, mas que estas só me tragam sorrisos.


Revivo saldosa desde os momentos de alegria até os de tristeza. Guardo em mim tudo o que posso e penso não mais cometer o mesmo erro. Vou viver com os olhos bem abertos. Vou notar cada detalhe do céu que cobre minha janela de luz, vou distribuir palavras repletas de amor a todos os afetos da minha vida.


De hoje em diante não mais me pesará a saldade e sim completará a felicidade com a qual olharei para trás.

12.9.09

"Tão bom morrer de amor e continuar vivendo."

Mário Quintana



-----------------------------------------------------


Hoje fui à Bienal e, assim como na última vez, amei! Assisti à leitura de poemas do grande Mário Quintana por Elisa Lucinda e Paulo José e foi uma experiência única. A naturalidade com a qual a Elisa fala os poemas, o sentimento que ele emprega na leitura... muito bom mesmo! Eu estava atrás do livro dela "A poesia do encontro", mas, infelizmente, só depois que cheguei em casa descobri que estava vendendo numa editora que eu não visitei... Mas a grande novidade do dia é que eu tive coragem e entreguei para ela 4 poesias minhas! Será que ela vai me responder?? A partir de agora vou ficar louca entrando no meu e-mail 95 vezes ao dia, hahahaha... Qualquer novidade eu posto aqui! =D